O que é a paginação de revestimentos?

Houve um bloqueio criativo aqui e tive que pedir ajuda para escolher o tema de hoje do blog! A @bia_arq (obrigada, Biaaaaaaaa) pediu que eu fale sobre paginação de piso x paginação de parede! Então vamos lá!

Se você não sabe o que significa paginação, vamos começar do começo! Quaisquer revestimentos, sejam de piso, sejam de parede (ou até mesmo de teto), precisam de um projeto que defina como ele será assentado na superfície, a partir de que pontos ele se inicia, onde haverá corte, onde haverá troca de piso. Isso é a paginação. 😀

Basicamente a questão mais importante que a paginação engloba é estética: “Quando o pessoa entra no ambiente, haverá logo na porta uma peça grande e lá no final do espaço um filete daquele revestimento”. Mas esta não é a função exclusiva, afinal quanto mais cortes nas peças, mais gasto de material e, portanto a paginação adequada pode significar economia no orçamento da obra. Ressaltando também o fato de que nem sempre a paginação que trará mais economia é a mais elegante.

Vamos para um exemplo prático: corredor da Nova Sede do StudioM4 e Novatics. Optamos por um porcelanato de 60x120cm. A paginação é fundamental para a elegância do corte e a quantidade emendas e rejuntes. Veja:

Nova sede_xref-Model

Na opção acima, o sentido do assentamento permite que tenhamos apenas uma peça compondo todo o corredor, os rejuntes, os encontros são os mínimos necessários. Praticamente não temos filetes de peças.

Nova sede_xref-Model2

Na segunda opção, o assentamento se inicia na porta, o que é ótimo, pois sempre temos uma peça inteira na entrada. No entanto, essa orientação da peça e esse início de paginação faz com que tenhamos um filete super estreito e outro ponto de emenda no mesmo corredor. Não é, definitivamente, a opção ideal, embora gaste menos peças no total. Aliás, esse filete finíssimo que essa paginação apresenta, dificilmente seria executado, pois a peça ficaria com baixíssima resistência tendo em vista que o porcelanato tem 120cm de comprimento.

Há diversas outras opções para definir essa paginação, cabe a nós escolher aquela de melhor custo benefício. Só para registrar, optamos pela primeira, que deve ser executada na obra dentro de pouquíssimos dias. 😀

E quando há mudança de ambientes? Nesse caso podemos trabalhar a paginação de duas maneiras: integrada ou independente. Integrada é a paginação que ignora a mudança de ambiente e segue o mesmo alinhamento. Já a independente usa uma soleira, normalmente de pedra, como granito, para separar os ambientes.

A paginação integrada, no meu ponto de vista é mais contemporânea, mais uniforme, com menos texturas. Já a paginação independente é mais econômica, afinal, cada ambiente tem seu início de paginação individual e, portanto, garantimos que sempre haverá uma parede com peças inteiras.

Mas a pergunta da Bia, era sobre algo além: o casamento da paginação de piso com a parede. Afinal paredes também são revestidas e precisam de projetos de paginação. O ideal é sempre casar as duas paginações, ou seja, o rejunte no piso segue no mesmo alinhamento parede acima. Essa continuidade traz mais elegância, mais delicadeza ao acabamento. No entanto, para isso temos duas condicionantes, a primeira é óbvia, os revestimentos de piso e parede, precisam ter pelo menos uma das dimensões em comum, certo? Por exemplo piso de 60x120cm e parede com 30x60cm (casamos os dois revestimentos em suas dimensões de 60cm).

Mas a outra condicionante não é tão fácil de deduzir: ambos os revestimentos devem pertencer a mesma marca, isso porque 60x60cm em uma marca pode, por incrível que pareça, significar 59x59cm em outra!!! E se o casamento dos rejuntes não for perfeito… aí, meu bem, separa completamente que vai ficar muito melhor!

Bia, espero ter respondido suas dúvidas!

Se vc quiser sugerir temas, tirar dúvidas, é só escrever nos comentários aqui embaixo ou em qualquer rede social do StudioM4.

Até a próxima!
(obrigada a todas a sugestões, haverá post sobre todas!)

 

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Casa de ferreiro, espeto de pau

Para você que ainda não está sabendo: StudioM4 está se mudando! Vamos para um espaço maior e a obra está em pleno andamento.

Mas é impressionante como o ditado que dá título a esse post, é verdadeiro! Faz meses que defendo aqui pela internet, organização, planejamento, projeto executivo. Mas quando o trabalho é para nós mesmos, parece que a gente desaprende tudo. Não fiz projeto executivo, a obra está em andamento e certas coisas ainda não foram definidas… quer dizer: tudo que eu digo que não pode fazer! Veja só.

Mas esse tipo de experiência é ótimo, sabe por quê? Porque me dá mais parâmetros para que eu continue defendendo o que já acreditava:

  1. Organização é fundamental
  2. Nenhuma verdade é universal, há diversas maneiras de se trabalhar

Organização é fundamental: quando trabalhamos para nós mesmos alguns problemas são toleráveis: atraso em soluções, definições na própria obra, orçamentos atrasados. Embora isso não seja o ideal, há perdão, afinal o trabalho é para nós mesmos. Mas, meu caro amigo, esquece esse perdão se houver um cliente do outro lado, se houver uma relação profissional que requer comprometimento e qualidade de serviço prestado. Uma relação profissional de qualidade não tolera “jeitinhos”. Precisamos definir etapas, cumprir prazos e entregar sempre o que foi acordado. Isso é fundamental para a construção de nossa credibilidade!

Nenhuma verdade é universal: quem me acompanha há algum tempo sabe que eu sou contra fórmulas prontas e soluções definitivas para todos. Somos pessoas diferentes, trabalhamos de maneiras diferentes. O que funciona para mim, pode não funcionar para outro profissional de arquitetura. Organização, metodologia e compromisso é fundamental para todos, mas o “como” é definido por cada um. Explico, sempre entrego meus projetos executivos completos, bem resolvidos, redondos! Mas essa semana eu, que ministro um curso de projeto executivo, me vi com um lápis na mão marcando nas paredes da obra, onde seriam instaladas as novas tomadas. Isso é errado? Não! Não, se você for um profissional muito seguro, com grande conhecimento do projeto e, principalmente, presente na obra. Se você é esse tipo de arquiteto, pode abrir mão de um detalhamento tão profundo. Desde que você tenha sua própria metodologia, responsabilidade e comprometimento, essa maneria de trabalhar pode dar certo para você! – o problema que vejo é que esse profissional é raro e mesmo sem essas habilidades, as pessoas não trabalham um bom projeto executivo. Aí complica!

Resumo da ópera: Casa de ferreiro, espeto de pau. A maneira como estou tocando o projeto e a obra do StudioM4 vai contra tudo que defendo… mas me dá mais bagagem e experiência pra seguir defendendo todas minhas teorias! 😀

Quer ver o dia-a-dia da obra? É só seguir o Snapchat do StudioM4 –> @studiom4 😉

Até a próxima.

 

 

Porquê vale a pena visitar a Revestir

Pelo segundo ano consecutivo fui à ExpoRevestir em São Paulo. Pra você que não sabe do que se trata, é uma feira (imensa) voltada para o público de especificadores, ou seja, profissionais que desenvolvem projetos e especificam materiais de acabamento. A feira é exclusiva para nós, arquitetos, designer ou engenheiros e, mesmo não sendo aberta ao público, se estende por alucinantes 2000 metros quadrados que valem muito a pena serem percorridos… com calma.

Ano passado, tive apenas um dia na exposição e fiz praticamente uma maratona. Este ano, com mais calma, percorria a feira em dois dias e tive tempo de parar, sentar e observar.

Não seria verdade se eu dissesse: “a feira esse ano teve muita novidade”. Não acho que de um ano para o outro seja possível encontrar soluções e produtos completamente diferentes do ano anterior. Mas algumas categorias de revestimento se consolidaram. No meu ponto de vista podemos classificar os revestimentos e cinco grandes categorias: Mármores, Madeiras, Pedras, Relevos e Figurativos.
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Mármores

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Relevos

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Pedras

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Figurativos

A qualidade da impressão dos porcelanatos de hoje em dia, estão absolutamente realistas o que nos permite a possibilidade de trabalhar em nossos projetos materiais raros, às vezes em extinção, mas com preços acessíveis. Isso é muito interessante, aguça nossa criatividade.

Outro ponto que acho fundamental de ressaltar é (algo que sempre repito): repertório é muito importante! Ir a uma exposição com essa é renovar nosso repertório próprio, é avaliar usos diferentes de materiais que já conhecemos e usos comuns para novos materiais. Sair da nossa bolha só traz vantagens! Saímos do nosso cantinho e voltamos renovados!

Pra terminar, outra coisa deliciosa de um evento como esse é encontrar pessoas queridas, não é verdade?

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Até a próxima! 😉

Fotos: internet, próprias e do amigo querido, Neilson!

Qual o valor do seu projeto?

Esse é, provavelmente, o tema que gera mais dúvida em quem está começando a carreira de arquitetura (e às vezes nos mais experientes também). E não é para menos, apreçar serviços nunca é uma tarefa das mais fáceis.

Há diversas maneiras, e como somos diferentes, não é possível dizer que uma é mais correta do que a outra. A melhor maneira de encontrar o valor do SEU serviço é aquela que faz sentido para você. Mas, sem dúvida, há alguns pontos que podemos ponderar para encontrar a solução mais adequada.

Durante muito tempo trabalhamos nossos orçamentos no StudioM4 por metro quadrado de projeto. E por muito tempo eu repetia a mesma frase para os clientes: “O valor do metro quadrado varia de acordo com seu programa de necessidades”. Convenhamos, que um parâmetro que “varia” não é exatamente o mais confiável, nem para seu cliente, nem para você, profissional. Mas, ok, assim trabalhamos por muito tempo. Porém, no momento de analisar a eficiência e a saúde financeira do escritório, os valores eram sempre tão nebulosos quanto o “varia” que eu dizia para os clientes.

Afinal, como saber se um projeto deu lucro ou prejuízo?

Antes de seguir, façamos um parênteses: não é porque o trabalho do arquiteto é um serviço, que não temos prejuízo. Vendemos nosso tempo e nosso conhecimento! Isso custa dinheiro e se mal orçado gera, sim, prejuízo.

Outra questão que me fez pensar foi: se um concorrente, que tem um escritório mais antigo e maior que o meu cobrou mais caro que eu, o que isso quer dizer? Que ele é uma estrela, porque está a mais tempo no mercado e por isso cobra mais caro? Porque tem já tem nome, tem mais é que cobrar mais caro mesmo? Ou será que o negócio do meu concorrente tem um fluxo de caixa mais complexo que o meu ou, em outras palavras, será que ele não tem um custo maior e, portanto, precisa que o valor dos seus projetos condigam com sua realidade financeira? Enfim, depois de fazer essas avaliações me pareceu natural que escritórios com realidades distintas tenham preços distintos.

Pensando nisso, passei a calcular o valor dos meus projetos com base nos meus custos e o tempo em que o projeto ficará em andamento do escritório. Enfim cheguei à essa fórmula: custos do escritório, dividido pelo tempo em que o escritório está em funcionamento e multiplicado  pelo tempo estimado do projeto (ao valor encontrado somam-se o custo de impostos e o percentual de lucro) voilà, aqui está o valor do projeto!

preço de projeto

Essa fórmula é perfeita? Claro que não. É a maneira mais correta de calcular preço de projeto? Não sei. É a maneira que tem funcionado bem por aqui? É, é sim.

Hoje em dia, ao final de cada projeto comparamos o tempo estimado de duração e tempo efetivo de duração, assim fica fácil saber se aquele projeto deu lucro ou prejuízo ao escritório.

Não se desespere se você fizer os cálculos e descobrir que dos últimos projetos, 80% dos projetos deu prejuízo… isso aconteceu por aqui e estamos trabalhando pra resolver esse problema, aí. 🙂

Você tem, ou quer abrir, um escritório? Baixe nosso e-book: bit.ly/vidadearquiteto

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Imagem de capa: freepik.com

 

 

ILUMINAÇÃO DE INTERIORES

É muito gratificante ver o resultado de um trabalho executado. Essa semana fizemos o trabalho fotográfico em várias obras concluídas. Uma delas me tocou especialmente, trata-se do projeto que ilustra o nosso primeiro post aqui no blog, sobre  maquetes eletrônicas.

Esse projeto tinha como partido central, a pedido dos clientes, a iluminação. Uma decoração neutra que permitia que a iluminação tivesse papel de protagonista no projeto desenvolvido. O resultado do trabalho concluído me dá muito orgulho, pois sei que esse objetivo foi alcançado.

Veja as imagens maquete e o ambiente fotografado por nossa parceira Alice de Holanda, do Ateliê Voador. Ver as fotos do espaço real só reforça minha crença de que as maquetes realista são fundamentais na concepção de projeto.

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Maquete desenvolvida no StudioM4

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Foto: Alice de Holanda

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Foto: Alice de Holanda

O trabalho de iluminação de interiores tem como premissa o fato de que é possível ter em um mesmo espaço um conjunto de cenas que possibilitam mudanças na decoração do ambiente apenas com o acionamento de um interruptor. Diversas funções, cenas específicas, diferentes experiênicas em um mesmo ambiente. As várias fontes de luz não precisam ser acessas ao mesmo tempo, cada conjunto de acendimento cria seu ambiente e tem sua função específica.

É por isso que o StudioM4 tem trabalhado para que os projetos de iluminação sejam cada vez melhores. Por isso buscamos estudar e nos especializar no assunto.

É com muito orgulho que no dia 05 de dezembro de 2015 eu, Imira de Holanda, apresentarei uma palestra na Arqflex, a escola de iluminação, que vem sendo a chave para nossas especializações, aqui em Brasília.

arqflex

Será uma oportunidade de mostrar um pouco do nosso trabalho de decoração de interiores e o quão importante a iluminação é para nossos projetos. Você está convidado! 🙂